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Como tornar as habitações mais eficientes

30 nov 2020
Como tornar as habitações mais eficientes
Guia para ajudar as famílias a ter lares mais saudáveis, confortáveis, económicos e amigos do ambiente.

Como tornar as casas mais eficientes é um desafio do momento. Os portugueses vivem em desconforto térmico 95% do ano e só um terço dos edifícios construídos após 1990 cumprem os requisitos de eficiência energética. E a escassez de casas eficientes no país é, de resto, um problema que ganha força nesta altura fria do ano e que se faz ainda mais sentir com a pandemia, já que as pessoas passam mais tempo dentro de casa, nomeadamente em teletrabalho. Para ajudar a superar este problema e tornar as casas mais eficientes, o Governo decidiu lançar um conjunto de ajudas financeiras às famílias. Falamos do Programa de Apoio Edifícios mais Sustentáveis, operacionalizado pelo Fundo Ambiental e com o apoio técnico da ADENE – Agência para a Energia. As candidaturas aos apoios (por parte de particulares) já arrancaram. Como se poderá beneficiar destes apoios? E como tornar a casa mais eficiente?

Casas em Portugal são pouco confortáveis

Sabias que a generalidade das habitações portuguesas construídas antes de 2016 tem o nível mais baixo de conforto interior, segundo a norma europeia de avaliação das condições térmicas nos edifícios (a norma EN 1525)?

São poucas as casas no país onde os seus ocupantes conseguem permanecer na totalidade do tempo em condições de temperatura perfeitamente confortáveis, sem recorrer a aquecimento ou arrefecimento. Esta é uma das conclusões de um documento de análise da Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios (ELPRE). 

Há números que dão força e comprovam este cenário: os portugueses vivem em desconforto térmico 95% do ano e só um terço dos edifícios construídos após 1990 cumprem os requisitos de eficiência energética. É crucial, posto isto, combater a pobreza energética existente em muitas habitações do país, conforme revelou a Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

Gtres
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Um pilar chamado sustentabilidade ambiental

“É necessário procurar formas de crescimento que consolidem a atividade imobiliária, contudo, a sustentabilidade ambiental, a eficiência e a inovação serão os pilares do novo paradigma para repensar as cidades”, dizia também, no início do ano – num cenário pré-pandemia –, Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Ibéria. Segundo o responsável, “as habitações têm um papel determinante na sustentabilidade ambiental”. 

A tendência de tornar o imobiliário mais verde e sustetável acelerou em plena pandemia. Esse foi, de resto, o tema central do terceiro webinar TEKSIL 2020, promovido pela Tektónica – Feira Internacional de Construção e Obras Públicas e pelo Salão Imobiliário de Portugal (SIL). Querem-se projetos energeticamente mais eficientes e construções de melhor qualidade – e em alguns casos estes requisitos já não são apenas uma necessidade, mas uma condição para o negócio. 

Governo reforça apoios à eficiência energética

Para inverter o cenário de desconforto térmico, o Governo decidiu tornar a eficiência energéticas dos edifícios e a diversificação da produção de energia renovável em objetivos prioritários nos próximos cinco anos. 

De acordo com a versão preliminar do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – Recuperar Portugal 2021-2026, apresentado em outubro por António Costa a Ursula von der Leyen, em Bruxelas, o Executivo prevê gastar 991 milhões de euros em cinco anos: 620 milhões para tornar os edifícios portugueses mais eficientes do ponto de vista energético e 371 milhões em hidrogénio (186 milhões para promover a produção de gases limpos) e energias renováveis. Em fase final de preparação, diz o PRR, está já uma Estratégia de Longo Prazo para a Renovação de Edifícios.

Mais tarde, já em novembro, o Governo garantiu que vai entregar em tempo útil à Comissão Europeia (CE) os relatórios em falta sobre eficiência energética dos edifícios. Documentos esses que têm de chegar a Bruxelas até final do ano. “O prazo é suficiente e a entrega do três segundos relatórios estava já prevista e determinada até ao final de 2020. Assim, o prazo será cumprido e, nessa medida, não haverá lugar a qualquer procedimento por incumprimento”, disse fonte oficial do Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

O que é o Programa de Apoio Edifícios mais Sustentáveis? 

O programa, que foi lançado pelo Governo no dia 2 de setembro 2020, irá atribuir 4,5 milhões euros em 2020 e 2021 - 1,75 milhões de euros este ano e 2,75 milhões de euros no próximo. É operacionalizado pelo Fundo Ambiental e conta com o apoio técnico da ADENE – Agência para a Energia, tendo como objetivo apoiar medidas e intervenções que promovam a reabilitação, descarbonização, eficiência energética, eficiência hídrica e economia circular em edifícios. 

A taxa de comparticipação das intervenções é de 70%, até ao valor limite estabelecido por tipologia de projeto. Cada candidato está limitado a um incentivo total máximo de 15.000 euros, sendo o limite máximo por edifício unifamiliar ou fração autónoma de 7.500 euros.

De recordar que as candidaturas ao programa que visa tornar as casas mais eficientes terminam apenas a 31 de dezembro de 2021. E o interesse dos portugueses está a ser elevado, tendo a iniciativa já atingido um milhão de euros em pagamentos. “Esta verba corresponde a 521 candidaturas validadas pela comissão de avaliação, sendo o valor médio do incentivo atribuído por candidatura de 1.900 euros”, adiantou o Ministério do Ambiente e Ação Climática. Quer isto dizer que já foi atribuído quase um quarto do valor total do apoio (4,5 milhões de euros), isto em menos de três meses – as candidaturas arrancaram em setembro.

Comfreak por Pixabay
Comfreak por Pixabay

Dicas para tornar as casas mais “verdes”

A verdade é que pondo em prática algumas medidas, que muitas vezes até são de fácil resolução, é possível tornar as casas mais confortáveis e eficientes e, ao mesmo tempo, diminuir a pegada ambiental. O resultado final é também uma poupança no orçamento familiar com as despesas da casa. Como é que isto se consegue? Melhorando o isolamento, por exemplo.

Este é apenas um dos conselhos que a Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

Por outro lado, e sendo verdade que se produz cada vez mais eletricidade através de fontes renováveis, como o sol, o vento e a água, cerca de 40% da eletricidade que “consumimos” ainda é proveniente de fontes não renováveis, nomeadamente carvão, petróleo e gás natural. É crucial, portanto, que o uso de fontes de energia renováveis seja prioritário, lembra a associação, alertando para a necessidade e importância de se produzir a própria eletricidade

Passive House, um exemplo de casas sustentáveis

O conceito de Passive House não é novo, já existe há alguns anos, mas em Portugal ainda está a amadurecer. É um bom exemplo, e quiçá o melhor, do que é ter e viver numa casa sustentável. Mas o que é, afinal, uma casa passiva? De forma resumida, traz, a quem nela vive, maior qualidade de vida, o que se reflete no conforto e na saúde, mas também em ganhos em termos de poupanças com energia e para o ambiente. 

“Temos assistido a uma procura maior de clientes que pretendem construir ou reabilitar de acordo com a Passive House”, revelou-nos recentemente João Marcelino, presidente da direção da Associação Passivhaus Portugal.

No Algarve, em Vilamoura, vai nascer um condomínio de luxo com casas passivas. E a procura pode estas casas sustentáveis, que têm muitas vantagens em termos de eficiência energética, está a ser elevada, contou-nos Miguel Palmeiro, diretor comercial da Vilamoura World.

Ainda sobre este tema, o arquiteto Jorge Cardoso Teixeira, da ADA - Atelier de Arquitectura, disse-nos que as referidas casas passivas que vaõ nascer em Vilamoura “serão as primeiras a ser construídas em escala em Portugal”. “A mensagem das vantagens económicas e ambientais [deste tipo de imóveis] é difícil de passar, pois a falta de exemplos vivos torna difícil em fazer acreditar”, conta.

O que é o certificado energético?

De forma resumida, o certificado energético é um documento que avalia a eficácia energética de um imóvel numa escala de A+ (muito eficiente) a F (pouco eficiente). É essencial e obrigatório, por isso, quando um proprietário quer vender ou arrendar um imóvel, independentemente da “idade” do mesmo. 

Fonte: idealista.pt

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